quarta-feira, 14 de outubro de 2009






























































Alfredo A. Mucci nasceu em Civitavecchia, mas logo a familia se transferiu para o Abruzzo. Viveu em L'Áquila e em Pescara. Estudou mosaico em Roma e Ravenna, veio para o Brasil em 1953. Em Janeiro de 1957 recebeu da SAN (Soc. Artistas Nacionais) do Rio de Janeiro - 10° salão, o primeiro lugar com o mosaico Cristo alla colonna, que faz parte do acervo de Malu Henriques. Em 1957 fez dois painéis de grande porte (14x4) na sede do Banco Mineiro da Produção de Juiz de Fora. (Indústria, Agricultura e Comércio) no hall e (A Evolução do Dinheiro) na sede do banco.










(Cozinha Mineira - Acervo Rosimar H. Manzo)



Em Juiz de Fora, fez também em mosaico a abside da capela do Cenáculo e em residências particulares. Em Belo Horizonte realizou em 60/61 os mosaicos da Igreja do Carmo (500 metros quadrados aprox. pelo método bizântino-ravennate ou seja, pastilha por pastilha), a Abside e a Via Sacra. Também no colégio Arnaldinum - BH mosaicos de grande porte e vários painéis decorativos para residências. Em Salto da Divisa - MG decorou com mosaicos a Abside e a Via Sacra da igreja de São Sebastião (1967), realizou também mosaicos decorativos para edifícios e residências do Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio decorou com mosaicos a capela de São Francisco dos Padres Franciscanos em Ipanema. Decorou em 1971 a igreja de Santa Rita de Extrema - MG, com trabalhos em cobre "sbalzatto". Escreveu o livro A Arte do Mosaico, Ed. Ao Livro Técnico, RJ 1962.







(Mosaico no Colégio Arnaldinum em Belo Horizonte-MG)



Em 1967 Mucci realizou com Malu Henriques um estudo junto a tribo Xavante, do qual resultou um disco (livreto e slides, o primeiro disco com vozes indígenas editado no Brasil "CEMB-SP 1967").

Com Malu pesquisou pinturas rupestres na Lapa de Cerca Grande - BH, também com Dr. Josaphat Paula Penna, primeiro pesquisador das grutas de Belo Horizonte. Pesquisaram também pinturas rupestres na Lapa do Tapuio, região do Rio das Velhas, para a Bienal de São Paulo(Revista Visão de 12/05/1961). Estudaram também o Candomblé e editaram um disco (Candomblé de Cabloco - Perseo Bernachi - 1970).


Mucci interessou-se pelo folclore e etnologia brasileira, era credenciado pelo Ministério da Educação e Cultura para pesquisas pelo Brasil, junto com Malu. Era membro da Associação Brasileira de Folclore - SP, sua coleção particular de peças indigenas e folclóricas foi doada por Malu Henriques para o Centro de Memória da USF (Universidade São Francisco de Bragança Paulista) em setembro de 1989 (Informativo USF n° 64 ano VI). Recebeu do governo italiano a condecoração "Stella della Solidarietá" por seus méritos culturais no Brasil.



(E Deus mesmo se vier que venha armado!)






(O diabo na rua no meio do redemoinho)



(A batalha final do Grande Sertão - Veredas (Acervo Malu Henriques)



Mucci conseguiu manter a ambiguidade do romance na tela e o que se vê é um bando de jagunços, no entanto Diadorim - o personagem feminino - jaz caído no lado direito da tela e podem ser observadas suas feições nitidamente femininas.







Mucci, quando chegou ao Brasil em 1953, preferiu não pintar. Dizia que sua paleta não tinha ainda as cores do país. Assim, dedicou-se a decoração mural em mosaico realizando as obras acima citadas. Mas, com as muitas viagens pelo sertão brasileiro recolhendo lendas e folclore em geral, ao ter contato com a obra de Guimarães Rosa, sobretudo com o Grande Sertão Veredas, apaixonou-se pelo sertão. Toda pintura de Mucci é inspirada no sertão mineiro, o do Urucuia de G. Rosa com seus vaqueiros, jagunços, boiadeiros e suas mulheres tímidas nas sombrias janelas, os sertanejos perdidos em sua pobreza e abandono.




(Cariboca Sertaneja)

Da fase de denúncia social de Mucci.




" Uma pintura brasileira sem outros adjetivos, baseada porém não em gráficas convenções de um primitivismo de superfície, mas no conhecimento profundo do espírito do país" escreveu o crítico da AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte) prof. Ricardo Averini.


Participou em São Paulo de várias coletivas e individuais. Realizou uma individual com 30 quadros inspirados na obra de Guimarães Rosa, sobretudo no Grande Sertão Veredas - no Auditório Itália 1973.


Seus quadros estão em várias coleções particulares no Brasil, EUA e Europa e no Museu de Arte de São Paulo, onde realizou sua primeira individual a convite de Pietro Maria Bardi, então seu diretor.






Mucci e Malu na Lapa de Cerca Grande - Lagoa Santa-MG - pesquisando pinturas rupestres cujas reproduções doamos á UFMG.



Pintura



Exposições Individuais:


1962 - Museu de Arte de São Paulo


1963 - Galeria Astreia - São Paulo


1968 - Gaeria Voltaico - Rio de Janeiro


1969 - Galeria Atrium - São Paulo


1969 - Galeria CBLU - Santos


1972 - Galeria Auditório Itália - São Paulo


1974 - Galeria Azulão - São Paulo



"... Todas as obras refletem o resultado de uma meditação constante sobre aspectos físicos e humanos que caracterizam o sertão. A arte de Mucci tende a transmitir não somente o perfil dessa realidade mas prncipalmente a emoção e o amor com que ele descobriu e assimilou na sua sensibilidade, paisagens de cidades interioranas e individuos da espécie humana e vegetal. Chamamos a atenção em particular, para as "flores do mato" as flores do sertão brasileiro: uma flora inédita verdadeiramente cheia de fascinação, que Mucci propõe com impetuosas ampliações nas suas relações de traço e cor, sobre um fundo habilmente calculado que resume nos seus campos o cromatismos do sertão, substancial contribuição para o conhecimento de aspectos pictóricos ainda ignorados daquele mundo fabuloso que é o interior do Brasil". Ricardo Averini, crítico de arte da AICA.






Da esquerda para a direita: Alfredo Mucci, José Alegre Caro e Franco Giglio (auxiliares de Mucci nos painéis do Banco Mineiro da Produção de Juiz de Fora). Rua Halfeld.








Paisagens Mineiras







Com os índios Xavante, explorador Guido Boldrini, guia da expedição e mais a direita Alfredo Mucci.









Índios preparando-se para a caçada.






Caçique Apoena e grupo de índios numa dança ritual.






Esq. : Dr. Wilsom Veado e Alfredo Mucci - Expedição à Lapa do Tapuio - Coração de Jesus - Norte de Minas, foto do fotógrafo Ivo Barretti do O ESTADO DE SÃO PAULO.



Mucci faleceu de Enfisema Pulmonar e suas complicações no dia 20/03/1984 e foi sepultado no Cemitério Municipal de Extrema, sul de Minas, onde ultimamente residia e tinha seu atelier.


(03/07/1920 - 20/03/1984)